A queda do dólar para abaixo de R$ 5,30 trouxe um misto de preocupação e esperança ao agronegócio. Para quem exporta, é ruim, cada dólar recebido vira menos reais. Para quem compra insumos importados, pode ser bom: fertilizantes, defensivos e máquinas tendem a ficar um pouco mais baratos.

O problema é que essa “boa notícia” demora a aparecer na prática. Mesmo com o real valorizado, o preço dos insumos recua pouco. Os motivos são simples: estoques antigos, contratos em dólar e custos internos elevados, como frete, combustível e crédito caro, acabam anulando parte do ganho cambial.

Enquanto isso, o lado ruim vem rápido. O produtor exportador, já pressionado por dívidas e juros altos, vê sua rentabilidade encolher. A soja, milho, carne e outros produtos exportados valem menos em reais, reduzindo o caixa das propriedades e travando novos investimentos.

Ainda assim, o câmbio mais baixo pode ser usado a favor do produtor. É hora de renegociar contratos, buscar eficiência e aproveitar o momento para planejar compras de insumos antes que o dólar volte a subir.

No fim das contas, o ditado se confirma: é ruim, mas é bom, depende de como cada produtor reage. Quem entender o câmbio como ferramenta de gestão, e não como inimigo, pode transformar essa maré em oportunidade.

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


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